Os pórticos: 62 quilômetros de guarda-chuva
Patrimônio da UNESCO desde 2021. Nasceram para abrir espaço aos estudantes e hoje são a sala de estar da cidade. E levam até San Luca.

Em Bolonha, o guarda-chuva é quase opcional. Os pórticos cobrem cerca de 62 quilômetros, uns quarenta no centro histórico: nenhuma outra cidade do mundo tem tantos. Em 2021 a UNESCO os declarou Patrimônio Mundial.
Por que surgiram
Na Idade Média a cidade crescia rápido, também graças à Universidade, que atraía estudantes de toda a Europa. Para ganhar espaço, as casas avançaram sobre a rua com balanços apoiados em vigas. No século XIII, uma lei municipal tornou os pórticos obrigatórios: tinham de ser altos o bastante para passar um homem a cavalo.
Madeira, tijolo, mármore
Passeando, dá para ler a história da cidade acima da cabeça. Na Strada Maggiore, a Casa Isolani ainda tem um pórtico medieval com altíssimas colunas de madeira. Depois vêm os renascentistas de pedra, os barrocos e até os modernos de concreto do bairro da Barca, apelidado de “o Trem”.
Até San Luca
O mais longo de todos sobe do arco do Meloncello até o santuário da Madonna di San Luca, no Colle della Guardia: quase 4 quilômetros e 666 arcos. O número não é por acaso: segundo a tradição, representa a serpente, ou seja, o diabo, esmagado pela Virgem no alto da subida. Percorrê-lo a pé é um ritual para os bolonheses, uns por devoção, outros por exercício.
Para experimentar. Suba a San Luca ao pôr do sol e desça a pé sob o pórtico. As pernas vão reclamar; a vista, não.
Leve para casa um pedaço desta história
Sapatos confortáveis para a cidade
Entre pórticos, paralelepípedos e os 4 km até San Luca, seus pés vão agradecer.
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Em Bolonha quase não se usa, mas uma hora você vai ter que atravessar uma praça.
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